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Uma pessoa sistemática (invariavelmente, o HOMEM), José Alberto Vasconcellos

Para safar-se de qualquer responsabilidade, tem sempre na ponta da língua uma palavra com efeito determinante.

19/01/2019 06h50 - Divulgação (TP)

 

Sistemático é aquele homem (ou mulher) rabugento, mal humorado, que cultiva a hipocrisia como arma de defesa, para justificar o uso da vaga que ocupa no seio da sociedade.

Dissimulado, encenando alguma artimanha, alimenta o ego com doentia dedicação para a execução daquilo que acha necessário e indispensável para locupletar-se com qualquer tipo de vantagem, sobre seu semelhante.

Ranzinza, avarento, sovina, mesquinho em qualquer questão que se envolve ou direito que discute com um semelhante — sempre tem razão — e sempre cobra aquilo, que na realidade, deve!

Para safar-se de qualquer responsabilidade, tem sempre na ponta da língua uma palavra com efeito determinante, para distorcer o texto do problema e fazer com que a solução não o implique no adimplemento de alguma obrigação.

O sistemático, adepto do agnosticismo, nega a existência de Deus e, por conseguinte, os mandamentos da Sua Lei, contidos nas Táboas recebidas por Moisés no Monte Sinai. Assim justifica seu procedimento irracional e desumano.

Sempre atento aos limites que circunscrevem seus interesses pessoais, com inusitada veemência, contesta qualquer movimento, por mais fraca que seja a brisa que demonstre a intenção de alguém arrebatar-lhe um único centavo. Com indisfarçável convicção, finge desconhecer a obrigação elementar do ser humano civilizado,

Com indisfarçável e hipócrita convicção, finge desconhecer a obrigação elementar do ser humano civilizado, que vive no seio da sociedade, de ser solidário com seus semelhantes carentes de amparo.

Julga-se auto suficiente e vive arredio às amizades. Não tem amigos, receia que eles podem vir a solicitar-lhe algum favor. Procura, por todos os meios, tirar alguma vantagem de alguém que esteja ao seu alcance, na posse de algo que lhe interessa – indispensável, pensa ele — para enriquecer o patrimônio, que vem amealhando... Tudo apenas para satisfazer seu ego, doentio e insaciável!

Sua nefasta e inveterada mentalidade, que orienta sua maneira de agir, tendo à frente sua condição doentia ou hipocritamente fingida de sistemático que lembram os sintomas da esquizofrenia, psicose crônica delirante, caracterizada por discordância entre o pensamento, a vida emocional e a relação com o mundo exterior — tudo – para colher vantagens indevidas, mal que se agrava com o tempo.

O sujeito que se diz "sistemático", não se dá conta de que a vida começa com a entrada pela porta da frente e termina com a saída pela porta dos fundos, momento que a Bíblia Sagrada registra no Livro de Eclesiastes, verbis: "12:7 e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu." Morto e sepultado, nunca terá uma vela acesa por alguém que tenha por ele uma boa lembrança!

Como ficou explícito, apenas o espírito volta a Deus, os bens amealhados ficam aqui na Terra e servem, apenas, para despertar a gula daqueles que julgam ter algum direito sobre eles.

O sujeito sistemático, que viveu manipulado pela introspecção, desconfiado e com olho grande nas coisas alheias, teve uma vida de pobreza espiritual, em meio à fartura de bens materiais. Sem amigos, mal-humorado, entregue à avareza e à mesquinharia, rabugento e desprezado. Pela vida que viveu deverá pedalar uma bicicleta (que não consome combustível) no "Vale de Josafá", a espera do julgamento: Joel 3:12 — "levantem-se as nações, e sigam para o Vale de Josafá; porque ali me assentarei para julgar..."

Analisado o procedimento de um sistemático, concluímos que no correr da sua vida foi paupérrimo nas emoções, miserável no amor e vitorioso no acúmulo das riquezas terrenas. Não viveu, apenas vegetou regando o que conseguiu amealhar e a conclusão que não pode ser modificada: juntou tudo o que conseguiu, para que? Que vantagem colheu da meticulosa e nefasta ação de juntar e guardar tudo o que pode, mesmo usurpando direitos alheios, durante todo tempo!

Teria valido a pena, ser um autêntico ou fingido sistemático, tomado por chiliques, para dissimular e encobrir a descabida e insaciável gula, que entorpece os sentimentos humanos? Claro que não valeu!

A segregação voluntária ditada pela volúpia da cobiça, objetiva tão só liberdade para que o "sistemático" perpetre ações norteadas pela mente perturbada, materializando sua incurável ambição, que embora dissimulada, é desnudada permitindo à sociedade reconhecer sua desprezível mesquinhez, que nega e distorce a tradição social e emporcalha os bons costumes dos filhos de Deus, que se orientam pela fé cristã.

14.13.01.2019 (4690) Membro da Academia Douradense de Letras.

(joséalbertovasco@yahoo.com.br).

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