01/09/2014 06h

Leia a coluna segunda-feira de Waldir Guerra

Marina soube aproveitar a oportunidade

Divulgação (TP)
 
 
* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br

Por que tanta surpresa com a disparada de Marina Silva nas pesquisas? Afinal, as pesquisas feitas de junho de 2013 até o mês passado já não mostravam que o povo queria mudanças?

Ora bolas! A mudança que o povo diz querer não é apenas substituir a presidente Dilma, mas os governantes todos. É isso que diz o povo: “queremos mudanças” e isso inclui não apenas o atual governo, mas também o partido que o comanda.

O candidato Aécio Neves não atraiu para si o voto dos que queriam mudanças. Acontece que o candidato do PSDB se considerava incluído nas mudanças, mas não parou para observar que a porcentagem dos pesquisados que queriam mudanças continuou alta, mesmo depois de ele ter entrado na disputa. Basta olhar as pesquisas anteriores e observar o número elevado dos que diziam votar em branco, nulo, ou estavam indecisos; e principalmente ver que quarenta por cento queriam mudar.

Marina absorveu praticamente todos os descontentes que pediam mudanças e ainda “garfou” uma boa parte dos que apoiavam Aécio e Dilma. Isso aconteceu logo após a morte de Eduardo Campos e sob o efeito da comoção nacional – comoção até compreensível dado a gravidade do acidente.

Passados 15 dias Marina continuou subindo nas pesquisas porque soube se colocar como oposição à presidente Dilma Rousseff e também porque era a melhor opção disponível – o que Aécio não soube fazer em todo o período como candidato. Ele foi muito fraco até aqui e sua campanha chocha demais para enfrentar um partido muito organizado (PT) e uma candidata à reeleição com uma máquina governamental tremenda lhe dando condições extras demais. Em momento algum Aécio demonstrou a garra que Marina vem mostrando.

Marina mesmo antes de Eduardo Campos ser enterrado tomou conta da campanha isolando – na verdade ela excluiu sem muita conversa alguns componentes da cúpula do PSB. Além disso, ela incluiu comandantes seus e partiu pra luta.

Marina, por ser um filhote do petismo, já arrancou mandando um recado ao mercado, especialmente aos financistas: o Banco Central será independente no seu governo. Copiou Lula quando acalmou os investidores com sua Carta ao Povo Brasileiro de 2002. (Não custa lembrar que nos oito anos de seu governo Lula deixou o competente banqueiro Henrique Meirelles tomar conta do Banco Central e não teve nenhum problema nesse setor. Mas é bom também lembrar que nunca na história do Brasil os bancos ganharam tanto quanto nesse período).

Ainda é necessário acrescentar que a escolha do seu vice, Beto Albuquerque – desconheço se esta escolha teve ou não a participação de Marina – foi exatamente o que faltava para completar sua chapa. O deputado Beto Albuquerque é ligado ao agronegócio e com isso acalmou um pouco esse segmento que não engolia o nome de Marina de jeito algum - o setor sucroalcooleiro, por exemplo, já está no papo.

Aécio talvez tenha perdido a grande chance de ser reconhecido como mudança quando escolheu seu vice: do próprio partido, PSDB. O partido passou a se parecer com uma casta indiana. Seria por conta disso que o PSDB foi incluído no rol das mudanças que o povo exige? (Certamente o governador de são Paulo já pôs suas barbas de molho).

Todos os políticos sabiam que o povo queria mudanças, até você e eu sabíamos disso, mas entre os candidatos, quem soube aproveitar essa oportunidade foi Marina.

Envie seu Comentário