11/05/2015 11h10

Uma briga benéfica por Waldir Guerra *

O equilíbrio de forças entre os três poderes ficou mais harmônico e isso fez um bem enorme para a Nação.

Divulgação(TP)
 
 

Essa briga que estamos assistindo hoje lá em cima na mais alta cúpula dos poderes da República, entre o presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado e a presidente da República, talvez você não tenha se dado conta, mas ela é benéfica para o País.

Você tem todo direito de discordar, e pode fazê-lo, mas primeiro reconheça que a equivalência de força entre os três poderes da República: Legislativo, Executivo e Judiciário, como bem determina a Constituição, estava pendendo mais para o Executivo.

O Executivo representado pela Presidência da República havia se assenhoreado de um mando maior; com a capacidade, inclusive, de se antecipar ao Poder Legislativo e editar medidas provisórias (MPs), ou seja: propunha, determinava e executava o que bem entendia no País. Apesar de a Constituição determinar que o Legislativo, o Executivo e Judiciário sejam independentes e harmônicos entre si, essa harmonia se esgotou totalmente com a reeleição da presidente Dilma. Foi na campanha política dela que ficaram demonstrados os abusos para reelegê-la – principalmente nos gastos exagerados e provavelmente advindos de recursos públicos desviados.

A queda na sua popularidade se iniciou logo após a eleição, antes do final do seu primeiro governo quando grande parte dos seus eleitores se sentiu ludibriada por sua propaganda enganosa.

Mas o seu governo acabou mesmo depois que a presidente Dilma tentou eleger o novo presidente da Câmara dos Deputados: um escudeiro seu – imagino que a intenção seria dominar o Legislativo – e para fazer isso escalou o Chefe da Casa Civil (a pessoa menos indicada para esse caso). Somente depois disso é que se deu conta da reação brutal que lhe adveio: o novo presidente da Câmara dos Deputados arrancou-lhe das mãos também o poder político.

O governo da economia ela própria o havia entregado a um banqueiro, antes mesmo de iniciar o seu segundo mandato, copiando o que Lula já havia feito no início do seu governo em 2003.

Se for verdade o que afirmam os presidentes da Câmara e do Senado que foi manobra da Presidente Dilma a inclusão dos seus nomes na lista dos denunciados na operação Lava Jato, então ela atingiu o objetivo, pois colocou uma mancha suja neles e os inviabilizou para voos mais altos.

O vice-presidente, Michel Temer, recebeu a incumbência de coordenar a área política e se saiu muito bem no primeiro embate ao conseguir aprovar no Congresso um Ajuste Fiscal proposto pelo Ministro da Fazenda – o encarregado de ajustar as contas totalmente desarranjadas durante o primeiro mandato da presidente Dilma.

Ao assumir o comando político do governo, o Vice-Presidente neutralizou bem o poder do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que estava se tornando o protagonista da área política.

Contudo, não se iluda caro leitor, esse esforço todo do Vice pode ter sido feito visando seu próprio interesse caso tenha que substituir Dilma na Presidência.

Essa briga toda lá na cúpula mais alta dos poderes do País devolveu ao Congresso Nacional parte do poder que lhe fora tirado pelo Executivo. Assim, o equilíbrio de forças entre os três poderes ficou mais harmônico e isso fez um bem enorme para a Nação.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br

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