Prejuizo

OAB/MS abre procedimento contra advogada suspeita de envolvimento em golpe milionário contra idoso

Um grupo de Campo Grande teria conseguido roubar dinheiro da vítima com a venda fictícia de uma fazenda.

20/07/2018 06h30 - G1 MS

 

Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) abriu um procedimento administrativo pela suspeita de envolvimento de uma advogada com um golpe milionário contra um aposentado. Um grupo de Campo Grande teria conseguido roubar dinheiro da vítima com a venda fictícia de uma fazenda.

Um grupo de Campo Grande teria conseguido roubar dinheiro da vítima com a venda fictícia de uma fazenda. O procedimento da OAB/MS é para apurar a conduta de Emmanuelle Alves Ferreira da Silva e a possível participação dela no golpe.

"Nós já oficiamos o MPE, estamos aguardando a remessas dos documentos, compartilhamento das informações para que nós possamos ouvi-la. Ouvindo ela, nós vamos fazer a avaliação se é o caso de arquivamento liminar ou se é o caso de darmos sequência no processo", explica o presidente da OAB/MS, Mansour Karmouche.

Emmanuele aparece no processo como advogada do falso dono da fazenda. Ela pegou quase R$ 4 milhões, sob a justificativa de recebimento de honorário.

José Geraldo, que usava um RG falso, se passando por vendedor da propriedade e outros dois homens foram presos em flagrante tentando fazer a transferência de mais um R$ 1,8 milhão, com uma procuração falsa.

O grupo conseguiu ter acesso ao dinheiro do aposentado Salvador José Monteiro de Barros, do Rio de Janeiro, pela Justiça.

Usando vários documentos falsificados, como notras promissórias e um termo de confissão de dívida, eles entraram com uma ação de execução, alegando não ter recebido quase R$ 7 milhões, pela venda da fazenda e ganharam a causa. A conta da vítima foi bloqueada pela Justiça e o dinheiro foi repassado ao grupo.

Foi aí que a vítima descobriu o golpe. A advogada do aposentado, Mônica Possas, questiona o trabalho realizado pela Justiça e alega que alertou sobre os documentos falsos.

Como a defesa da vítima alega que a Justiça simplesmente ignorou a solicitação de análise de assinaturas, ela entrou com um pedido de providências no Conselho Nacional de Justiça, contra a segunda Vara Cível de Campo Grande e registrou também boletim de ocorrência.

E aí sim a polícia pediu um exame grafotécnico. O laudo fica pronto em um mês, mas segundo a polícia, a diferença entre as assinaturas é bem visível.

O que a polícia quer descobrir agora é como o grupo teve acesso as informações da conta bancária do idoso.

A polícia pediu a prisão de Emmanuelle, que não foi aceita pela Justiça.

O advogado dela nega as acusações. Emmanuelle já devolveu R$ 4 milhões e pediu prazo para devolver mais R$ 1,9 milhão.

O aposentado ainda não teve acesso ao dinheiro. Depende de uma nova decisão judicial.

Questionada a Justiça sobre a falta de exame de análise das assinaturas, a decisão da segunda Vara Cível, que permitiu que o dinheiro fosse retirada da conta da vítima, o motivo do sigilo no processo criminal e também a negativa para a prisão da advogada suspeita, a TV Morena recebeu apenas uma nota da assessoria dizendo que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul não recebeu comunicação sobre os fatos e quando receber vai encaminhar para a sua Corregedoria.

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