10/11/2014 07h

Leia o artigo de Waldir Guerra - Você acredita num bom governo de Dilma?

Tomara que me engane, mas sinceramente, não dá para acreditar num bom governo de Dilma Rousseff nesses próximos quatro anos.

Divulgação (TP)
 
 
Waldir Guerra. * Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.brWaldir Guerra.

* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br

Com toda sinceridade, não dá para acreditar num bom governo da presidente Dilma Rousseff nestes próximos quatro anos e, se não bastasse o simples argumento comprovado de que nenhum governante até hoje conseguiu fazer um segundo mandato melhor que o primeiro, ainda no caso dela, outros fortes argumentos reforçam esta opinião.

A começar pelo Congresso. Nesses últimos quatro anos a presidente Dilma não teve nenhum problema com o Congresso Nacional; aprovou o que quis e, assim como seu antecessor, inundou o Legislativo com Medidas Provisórias. Ficou à vontade; ela criava as Leis (através de MPs, claro) e as punha em prática – assim dizemos nós tenistas: ela fez saque e voleio. Jogou praticamente sozinha já que seus ministros não tiveram autonomia.

Agora ela terá uma forte oposição dentro do atual Congresso. Seu adversário, Aécio Neves, que voltou ao Senado e mandou-lhe um recado em voz alta: diálogo com ele e seu partido (ele é presidente do PSDB) só depois do cumprimento das promessas feitas por ela na campanha.

Mais. A bancada do seu partido, PT, diminuiu e ainda tem o fator desgaste que os próprios dirigentes do PT reconheceram em reunião na semana passada: há uma aversão generalizada ao partido e isso tende a inibir seus congressistas.

Se nesses quatro anos não conseguiu dialogar com o Congresso não dá para acreditar que agora vai conseguir; até porque diálogo não faz o jeito dela. Assim, nessa empreitada com deputados e senadores ela arranca perdendo de 2 a 0 – dá medo que acabe nuns 7 a 1.

Na reabertura da Câmara dos Deputados o governo sofreu uma derrota esmagadora: os deputados derrubaram o Decreto 8243/2014 onde a presidente Dilma tentava criar a Política Nacional de Participação Popular – os conselhos populares. Os deputados entenderam que esta função cabe a eles e não às organizações populares. (1 X 0).

O placar de 2X0 foi prorrogado para a semana que vem, apesar de ainda não ser gol, já é um pênalti contra Dilma. Trata-se do Orçamento Impositivo. É a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 565 de 2006 que obriga o Governo a pagar todas as emendas parlamentares até um montante de 14 milhões para cada congressista.

Apesar do esforço da presidente para não se submeter a essa obrigação, muitos deputados, inclusive do próprio PT, deverão votar pela aprovação da PEC do Orçamento Impositivo. A maioria dos deputados está magoada, pois suas emendas nos orçamentos passados não foram pagas.

Mas o Congresso não é o problema mais urgente. A maior urgência está na Área Econômica. Dilma precisa indicar o novo Ministro da Fazenda. Sim, porque já demitiu antecipadamente Guido Mantega. Com certeza precisa indicar um nome da mais alta competência – e isso não existe nos quadros do seu partido.

O próprio Lula estaria lhe sugerindo um banqueiro – e quem sabe das coisas diz que o nome sugerido por ele é Henrique Meirelles – mas como explicar a historinha mostrada por ela, ainda agora a pouco na campanha política, mostrando crianças passando fome por culpa dos banqueiros? Ficar postergando esse assunto a presidente não pode. Vai ter que se explicar até o final deste mês.

Tomara que me engane, mas sinceramente, não dá para acreditar num bom governo de Dilma Rousseff nesses próximos quatro anos.

Envie seu Comentário