Apesar de internada, quadro de Luísa era estável (Foto: Arquivo familiar)

“Estou pronto para perdoar”, diz pai que enterrou bebê no dia do aniversário 

“Estou pronto pra perdoar”. Foi a frase que um pai de 32 anos, morador de Coxim, verbalizou poucas horas depois de enterrar a filha, no dia em que ela completaria um aninho. Ele e a esposa, de 31 anos, buscam respostas para a morte de Luiza, que ocorreu na sexta-feira (19).


Ainda muito abalado, o pai conversou com a reportagem do Edição MS, na noite deste domingo (21).  “Estou pronto para perdoar, mas preciso saber o que aconteceu com a minha filha. É isso que vai nos dar a paz que precisamos para entendermos o propósito de Deus”, reafirmou o pai, que não vai medir esforços em busca da reposta.


Luiza morreu no hospital da Cassems de Campo Grande, às 19h42 de sexta-feira (19), depois de sofrer três paradas cardiorrespiratórias. Com a filha nos braços, já sem vida, o pai prometeu, em meio a todo sofrimento, que buscaria resposta. Vale ressaltar que a família não tem interesse em indenização financeira.


A única informação é que a menina morreu em decorrência de uma infecção, porém, essa versão não convenceu a família. Luiza passou mal em Coxim, na sexta de manhã ao receber um medicamento na veia, no hospital da Cassems de Coxim.
“Minha filha estava comendo melão e brincando no colo da minha esposa quando uma profissional entrou no quarto com uma seringa e falou que aplicaria bromoprida para impedir episódios de vômitos. Quando ela deu início a aplicação a Luiza começou a chorar, tremer e virar os olhos. Minha esposa correu com ela até a médica, que com ajuda de outros profissionais conseguiu reanimá-la, após 30 minutos”, relatou.


Desesperado, o pai decidiu transferir a filha para Campo Grande e chegou a providenciar uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) aérea. Segundo ele, “milagrosamente” a Cassems, que dias antes tinha negado a transferência por via terrestre, resolveu arcar até com o custo até do avião.


As 15h12 a UTI decolou de Coxim com destino a Campo Grande. O pai acompanhou a filha na viagem e notou que algo estranho estava acontecendo já no trajeto. Ao chegar na unidade da Cassems da Capital ele foi separado da filha, que foi para cuidados médicos enquanto ele relatava o que tinha acontecido para duas mulheres, funcionárias do hospital.


Pouco tempo depois o pai foi autorizado a subir para a UTI e quando chegou na porta foi recebido por uma médica, que deu a pior notícia de sua vida. Luiza não resistiu às paradas cardiorrespiratórias que sofreu. 


Em meio ao desespero, ele conta que foi desestimulado por uma funcionária do hospital da Cassems a encaminhar o corpo da filha para o IML (Instituto Médico Legal), onde seria feito necropsia. A família ainda não recebeu o atestado de óbito com a causa da morte.

O caso já foi registrado numa delegacia de Campo Grande, onde o pai também entregou a seringa usada para aplicar o medicamento na veia de Luzia em Coxim. Ele conta que filmou o momento em que recolhia a seringa no quarto do hospital. 
Nesta segunda-feira (22), a família vai constituir um advogado para cuidar do caso. Eles não descartam a possibilidade de pedir exumação do corpo para investigação.

Entenda como tudo começou


Luiza sempre foi uma criança saudável, mas no início de fevereiro começou apresentar febre e desconforto. Os pais entraram em contato com uma médica de confiança, que orientou levar a menina no hospital da Cassems em Coxim para teste de Coronavírus (Covid-19).


Com a negativa o médico plantonista diagnosticou como uma infecção de garganta, conforme a família. Dois dias depois Luiza foi levada ao consultório da médica de confiança, que receitou antibiótico ministrado por uma semana. 

Entretanto, Luiza voltou a ter febre, desta vez acompanhada de vômitos. Os pais voltaram a mesma médica que receitou mais um antibiótico, além de bromoprida para cessar os vômitos. 


Um novo teste de Covid e mais uma negativa, na terça-feira (16). Luiza foi internada no hospital de Coxim e um pediatra assumiu o caso. Infecção era relatada a família, porém, a informação repassada aos pais era que os únicos medicamentos que a menina recebia tratavam apenas os sintomas (febre e vômito).


O pai relata que apertou o médico e ele pediu três dias para identificar qual era a infecção e entrar com o antibiótico certo. Na quinta-feira (18), o pai tentou transferir a filha para Campo Grande, mas disse que a Cassems negou.


Apesar do tratamento não avançar, o quadro de Luiza era estável. Tanto que na sexta-feira, até que recebeu o medicamento intravenoso e ter a primeira parada cardiorrespiratória, a menina brincava no colo da mãe. 

Os pais moram em Coxim há pelo menos 10 anos, onde tem propriedade rural. Além de Luiza, eles tem outra menina, de 5 anos, que tem dado força para a família seguir em frente.

Independentemente, da sua crença, inclua essa família em suas orações.

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